A categoria treineiro é oferecida por algumas das principais universidades brasileiras como opção de treinamento para estudantes que não concluíram o Ensino Médio, mas que já estão atentos ao vestibular. Por meio dessa prova, o jovem familiariza-se com detalhes importantes do processo seletivo para o qual deseja concorrer futuramente.
A Fuvest, responsável pelo processo seletivo da Universidade de São Paulo (USP), a Vunesp, fundação que organiza o vestibular da Universidade Estadual Paulista (Unesp), e a Comvest, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), são algumas das instituições que oferecem opção de treineiro.
A presença desses estudantes tem aumentado cada vez mais, dando à categoria uma crescente visibilidade. Na Fuvest 2010, por exemplo, eles representaram cerca de 8% do total de inscritos. “É fundamental saber que já na segunda série do Ensino Médio se tem conhecimentos para prestar um vestibular”, diz a coordenadora pedagógica do Colégio Objetivo, professora Vera Lúcia da Costa Antunes.
Muitos jovens têm passado pela experiência e tirado bom proveito dela. Mas é preciso equilíbrio, seja qual for o resultado obtido.
Alcançando desempenho positivo, deve-se ter cuidado com o excesso de autoconfiança, pois pode influenciar na dedicação aos estudos. Da mesma maneira, diante de um resultado negativo, é importante que o jovem tire o melhor proveito da oportunidade, uma vez que ela revela as áreas que precisam de reforço a tempo de correr atrás do prejuízo.
Vera ressalta também a importância dos simulados, aplicados com regularidade aos estudantes do Objetivo. “Simulado é muito útil, porque dá ao aluno noção do que ele já aprendeu e do que ainda precisa aprimorar”, diz. Para ela, a eficiência dos simulados compara-se à do treineiro, com a diferença de que o treineiro sente o clima do vestibular com mais intensidade.
O Colégio incentiva seus estudantes a vivenciarem a experiência e oferece os mais variados recursos para que se mantenham atualizados e em constante preparação. “A principal orientação é fazer a prova como se fosse para valer. Tem de ser uma experiência plena, para que possam aproveitar os pontos positivos”, afirma Vera.
Questionados sobre o assunto, os alunos do Objetivo não pensam duas vezes em responder: sim, para eles, vale a pena ser treineiro. Confira os motivos:
O que acha de prestar como treineiro?
“Traz maior confiança e também diminui a ansiedade em relação ao exame. É como se você estivesse fazendo a prova como um vestibulando.”
Quem responde: Cássio dos Santos Souza, aluno da 3ª série e treineiro por duas vezes na Fuvest (2009 e 2010). No ano passado, na categoria treineiro, conquistou o primeiro lugar no Fovestão, simulado aberto do Objetivo.
Por que é importante prestar vestibular como treineiro?
“É uma oportunidade de testar os próprios limites, avaliar qualidades e dificuldades a serem superadas. É possível obter informações de fundamental importância para um vestibulando, assim como determinar pontos a serem aprimorados no próximo ano; ter noção de que no dia do vestibular haverá muitos concorrentes no mesmo lugar que você e que isso não pode te abalar.”
Quem responde: Matheus Lima Barbosa de Tulio, aluno da 3ª série e treineiro
por duas vezes na Fuvest (2009 e 2010). Na primeira, ficou em 77º lugar,
e na segunda, em 19º.
O nervosismo na hora da prova é grande ou o fato de ser treineiro tranquiliza mais do que se fosse para valer?
“É lógico que o nervosismo no vestibular para valer é muito maior, mas o treineiro também sente aquele ‘friozinho na barriga’.”
Quem responde: Marcela Malheiro Santos, aluna da 3ª série e treineira por duas vezes
na Fuvest (2009 e 2010).
Prestar como treineiro ajuda a conquistar a calma no vestibular de verdade?
“Sem dúvida! Quem presta como treineiro já está acostumado à prova, tanto em relação às perguntas como ao tempo e ao desgaste físico e mental. Além disso, pode-se aprender com os erros para não ter problemas na hora decisiva.”
Quem responde: Gustavo de Carlis Miranda, aluno da 3ª série e treineiro da Fuvest em 2009 e 2010.
Nesse último exame, foi o 15º colocado.
Qual a maior vantagem em ser treineiro?
“Autoconfiança, eu diria. Fazer as provas me fez confiar mais em minhas habilidades e reconhecer outras em que ainda estou deficiente.”
Quem responde: Catarina Amarante de Oliveira Neves, aluna da 3ª série, treineira da Fuvest por três vezes. Foi aprovada no curso de Ciências da Natureza em 2008; Em 2010, prestou Biológicas na Fuvest e Odontologia na Unicamp, obtendo a 16ª colocação em ambas.
Qual é a sensação na hora de conferir o resultado? Mesmo sabendo que é só um teste, existe emoção ao constatar que foi “aprovado”?
“É emocionante, ainda mais quando você comemora com os amigos que passaram também. Traz maior confiança e maior perspectiva para estudar durante o ano, pois é uma comprovação de que o esforço dá resultado.”
Quem responde: Gabriela Ayako Ueno, 3ª série. Prestou como treineira pela primeira vez na Fuvest de 2010