Trabalho de aluno do Objetivo vira projeto de pesquisa no ITA


Pesquisando a resolução do problema Levitação Acústica, na fase nacional do Torneio Internacional de Jovens Físicos (IYPT), Gustavo Korzune Gurgel, aluno da 2ª série do Ensino Médio do Colégio Objetivo Integrado, teve a ideia de fazer o estudo sobre Manipulação de um objeto sob as condições de levitação acústica.

O estudo ganhou tanta visibilidade na competição que despertou o interesse de discentes do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). O grupo, liderado por Felipe Murad, ex-aluno do Objetivo, que atualmente cursa engenharia no ITA, utilizou a pesquisa para fazer um trabalho acadêmico e futuramente um artigo científico, em que Gustavo Gurgel também será autor.

Confira, na íntegra, a entrevista com o aluno:

Como surgiu a ideia do estudo Manipulação de um objeto sob as condições de levitação acústica? Foi pesquisando para a IYPT?
Os projetos da IYPT são feitos pautados em um enunciado publicado meses antes do torneio. O problema Levitação Acústica tinha como ideia central o estudo do fenômeno como um todo – sua origem física, como poderia ser resolvido matematicamente e a análise de fórmulas matemáticas encontradas –, e que eu verificasse até que ponto seria possível mover um objeto.

Você pode explicar o funcionamento da Manipulação de um objeto sob as condições de levitação acústica?
Para realizar manipulação por meio de levitação acústica eu utilizo vários alto-falantes de maneira a criar um ponto em comum entre suas ondas (ponto foco) e por meio de um computador eu modifico a localização desse ponto foco criado, o que irá mudar a posição do objeto também.

Como os alunos do ITA se interessaram pelo projeto? Como foi esse contato?
Um dos alunos do ITA entrou em contato com os alunos do Objetivo buscando alguém que tivesse feito um problema relacionado a ondas. Entre os projetos, a levitação acústica se destacou como favorito por se tratar de um fenômeno totalmente relacionado com ondas (o som é, por definição, uma onda).

Qual a emoção de o seu estudo ter despertado o interesse de alunos da graduação do ITA? 
É de quem conseguiu fazer um bom trabalho, pois o que foi apresentado pelos alunos do ITA é, de fato, minha apresentação da IYPT com modificações de formatação. O fato de alunos de uma instituição tão conceituada como o Instituto Tecnológico de Aeronáutica apresentarem meu projeto, sem qualquer alteração, foi algo muito relevante.

Além da IYPT, você já participou de outras olimpíadas científicas?
Além da IYPT participei e ganhei medalhas na Olimpíada Paulista de Física (OPF), Olimpíada Brasileira de Física (OBF), Olimpíada Brasileira de Linguística (OBL), Olimpíada Brasileira de Astronomia (OBA), Olimpíada Canguru de Matemática e na Olimpíada Brasileira de Ciências (OBC).

Na sua opinião a participação em olimpíadas do conhecimento contribuíram para ampliar seu interesse sobre estudos científicos?
Durante o estudo para olimpíadas científicas me deparei com livros e conceitos que me mostraram o que é de fato o conhecimento científico e como lidar com o mesmo. Após cada competição, bons resultados me incentivam mais e mais a seguir pesquisando e aprimorando meu alicerce acadêmico.

Há mais alguma informação que acha importante mencionar na matéria?
Primeiramente gostaria de deixar uma nota de agradecimento ao Prof. Marco Aurélio Brizzotti do Instituto de Física da USP, que vem me guiando e abrindo portas no mundo científico: devo muito do que aprendi sobre levitação acústica a ele.
Também acho interessante dizer que, após os alunos do ITA conseguirem uma média final 10 como nota para o trabalho de Levitação Acústica  – os únicos da turma que conseguiram tal resultado –, eles ficaram muito animados e estão interessados (junto de um professor do instituto) em escrever um artigo a respeito, no qual eu participaria como autor; paralelamente a esse projeto eu e Marco Aurélio Brizzotti pretendemos publicar um trabalho ainda este ano sobre o tema.
Tanto a experiência que tive participando da IYPT quanto a honra de ter meu trabalho apresentado por alunos do ITA me ensinaram muito e serviram de base para que desde muito cedo pudesse participar do meio acadêmico nacional.