Ivan Tadeu: as lições de um jovem talento


Seu nome é conhecido entre os estudantes e professores que participam de olimpíadas científicas.
Ivan Tadeu Ferreira Antunes Filho, aluno da 3ª série do Ensino Médio do Colégio Objetivo Integrado, tem apenas 17 anos, acumula mais de 45 medalhas em certames nacionais e internacionais e detém um
boletim formidável.

Ivan é um garoto aplicado e inteligente, com uma incrível facilidade para todas as áreas; um adolescente rodeado de colegas, de namoradinhas, de alegrias e incertezas peculiares a esta fase da vida. Ele gosta de videogames, de Harry Potter, de Crônicas de Nárnia e de ficção científica, entre outros.

O estudante conquistou, seguidamente, nada menos que quatro medalhas para o Brasil em olimpíadas científicas. Emendando uma competição na outra, ele participou da Olimpíada Internacional de Física, realizada na Estônia, onde conquistou ouro; depois, partiu para a Eslovênia, para competir na Olimpíada Internacional de Linguística, ganhando medalha de prata; então, foi ao Rio de Janeiro conquistar mais uma medalha de prata na Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica. E, por último, trouxe mais uma medalha de prata de Portugal, da sua participação na Iberoamericana de Biologia.

O Bico vem acompanhando sua trajetória e traz aos leitores um pouco de sua história. Acompanhe a entrevista:

Bico: Quando foi seu primeiro contato com as olimpíadas científicas?
Ivan: Em 2006, na Olimpíada Regional de Matemática, que aconteceu em Lins, cidade onde nasci. Eu estava no 6º ano e conquistei medalha de ouro. No 7º ano, veio outro ouro, porém da Olimpíada Brasileira de Matemática. Hoje somo 45 medalhas conquistadas.

Bico: Conte um pouco sobre sua primeira participação em olimpíadas internacionais.
Ivan: Foi em 2009, quando estava no 9° ano. Tinha 14 anos, e perguntei a minha mãe se poderia participar da Olimpíada Internacional Júnior de Ciências (IJSO), que ocorreria no Azer­baijão. Respondeu "sim", mas sen­ti que ela consentiu por achar que eu não conseguiria me classificar. Aquilo bastou para que eu fosse em frente, estudando sem parar, durante três semanas seguidas, para as seletivas da IJSO. Iriam cair diversos conteúdos só vistos na 3º série do Ensino Médio. Pensei diversas vezes em desistir, pois estava exausto de tanto estudar. Mas eu fui até o fim, para mostrar que era capaz. Fiz a prova e conquistei o 5º lugar, classificando-me para a competição internacional, de onde trouxe a prata.

Bico: Como é a sua preparação para as olimpíadas?
Ivan: Com planejamento e muita dedicação. Faço metas, mas não costumo seguir rotinas. Em cada matéria utilizo uma estratégia diferente. Em Biologia, o que mais compensava era ler o máximo possível, fazendo alguns exercícios de fixação. Em Física, era estudar enquanto alternava com alguma outra matéria que não fosse de Exatas, para não ficar exausto, concentrando minha atenção mais na resolução dos problemas do que na própria teoria. Na competição de Linguística, que envolve basicamente lógica, lia as questões e fazia as resoluções das provas anteriores. Aí não tem segredo; durante a resolução, você verá como as questões são resolvidas.

Bico: Estudar pela resolução das provas anteriores é uma boa estratégia? Como faz para aprimorar seus conhecimentos?
Ivan: Sim. Para estudar pelas resoluções é simples. Você decide quais fatos e estratégias são importantes para as soluções e quais não são, e então basta anotar o que considera importante. Por "importante" entenda-se: fatos que utilizaria para resolver outras questões também. Por último, para não ficar nervoso na hora da prova, é preciso tornar rotineira a resolução de questões.

Bico: Por que você participa de olimpíadas?
Ivan: Além, é claro, do conhecimento adquirido em cada uma delas, participar de uma olimpíada nos enriquece. Conhecemos muitas pessoas e culturas diferentes. É uma troca de experiências que não dá nem para descrever. Em atividades científicas, visitei os Estados Unidos, Nigéria, Tailândia, Portugal, Polônia, Estônia, Eslovênia, Argentina e Finlândia. Quero muito ir à Coreia do Sul e à Bulgária, porque fiz grandes amigos desses países pela Internet.

Bico: Você trocou uma viagem para a Disney pela participação em uma olimpíada?
Ivan: Sim, isso foi em 2009, aos 14 anos. Na mesma data estava acontecendo a semana de premiação da Olimpíada Regional de Matemática de Rio Preto (OMRP). Mas mesmo antes disso, aos 12, já havia deixado de fazer um cruzeiro com meus pais para ir a uma Semana Olímpica, que reuniu os premiados da Olimpíada Brasileira de Matemática.

Bico: É verdade que as olimpíadas te ajudaram a vencer a timidez?
Ivan: É isso mesmo. Parece incrível, mas antes da minha primeira olimpíada no exterior, eu evitava até atender ao telefone. Mas aí, fui ao Azerbaijão, participar da IJSO. Isso contou muito: o time do Brasil, para fazer uma brincadeira, me arremessou no meio da roda de outros participantes, para que eu me apresentasse — quase congelei na hora. Mas aquilo foi só o começo: no decorrer dos 10 dias, eu conversei com diversas pessoas, desde as sul-coreanas até as do Zimbábue. No final, havia me tornado outra pessoa, muito mais sociável.

Bico: Já decidiu qual carreira quer seguir?
Ivan: Não. Pode ser na área de Exatas ou de Biológicas, no Brasil ou exterior. Ainda não me decidi.

Fotos Relacionadas