Há 93 anos teve início a Primeira Guerra Mundial
Em 28 de junho de 1914, um estudante da Bósnia, Gabriel Princip, matou a tiros o herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, o príncipe Francisco Ferdinando, que passeava de carro aberto pelas ruas de Sarajevo (Bósnia). O fato foi o estopim da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), declarada oficialmente em 3 de agosto de 1914.
Para o historiador britânico Eric Hobsbawn, a Primeira Guerra marcaria, de fato, o verdadeiro início do século XX. Com ela, inaugurava-se uma fase de grandes convulsões sociais que se encerraria apenas com a derrocada do mundo soviético.
De fato, após esse conflito, o mundo não seria mais o mesmo. Para muitos, contemporâneos ou não da guerra, com ela terminava a paz e a prosperidade sob as quais a sociedade burguesa parecia repousar. Chegava ao fim a época de esperanças no futuro da humanidade com base na ideologia do progresso.
As razões do conflito
De que forma um incidente localizado, que dizia respeito à política interna do Império Austro-Húngaro, pôde levar tantos países à guerra?
As razões são múltiplas e devem ser buscadas nas rivalidades imperialistas que comprometiam o equilíbrio do jogo de forças internacional numa época em que as economias nacionais se enfrentavam mutuamente.
Considere:
- A derrota francesa na guerra franco-prussiana, no fim da qual se deu a unificação alemã, resultou na anexação da Alsácia-Lorena pela Alemanha. Essa região era grande produtora de carvão e ferro, necessários para a indústria do aço;
- No início do século XX a indústria alemã produzia mais e com mais qualidade que a Inglaterra. Produtos alemães eram vendidos a preços menores e os mercados ingleses viam-se prejudicados, com seus lucros diminuindo;
- França e Inglaterra praticamente controlavam a grande maioria das colônias asiáticas e africanas. A Alemanha e a Itália ambicionavam participar desse rico sistema de exploração;
- O czar da Rússia defendia o pan-eslavismo: pretendia reunir todos os povos eslavos sob seu comando. Na verdade essa medida era uma justificativa para os interesses imperialistas da Rússia, que passou a apoiar os movimentos nacionalistas eslavos que pretendiam separar-se do Império Austro-Húngaro.
A situação estava tensa no continente europeu desde 1871, quando ocorreu a unificação alemã. Vivia-se em um estado de “Paz Armada”. Desde então, os grandes países da Europa vinham-se militarizando e estabelecendo alianças políticas na expectativa de uma guerra.
O atentado em Sarajevo foi o estopim de um conflito de proporções assustadoras que, devido às alianças existentes, envolveu toda a Europa e alguns países dos outros continentes.
O confronto foi travado entre dois blocos liderados pelas seguintes alianças:
Tríplice Entente: Rússia, Grã-Bretanha e França;
Tríplice Aliança: Alemanha, Áustria-Hungria e Itália.
No decorrer do conflito:
- A Itália deixou de apoiar a Alemanha em 1915 e recebeu a promessa da Inglaterra de receber colônias na África;
- Os Estados Unidos entraram na guerra em 1917 devido a temores de uma derrota de franceses e ingleses, seus possíveis parceiros econômicos, e aos ataques de submarinos alemães que ameaçavam o livre trânsito de suas exportações;
- A Rússia retirou-se da guerra pelo Tratado de Brest-Litovsky (1917) em função de Revolução Socialista;
- O Japão entrou em guerra contra a Alemanha, visando conseguir territórios desse país na China e no Pacífico;
- O Brasil declarou guerra à Alemanha em 1917, acompanhando os Estados Unidos. A ajuda brasileira se deu pelo envio de enfermeiras e alimentos.
O desenrolar da guerra
Após a deflagração do conflito, formaram-se duas frentes de batalha. Nas duas, os combates foram violentos, porém, na Frente Ocidental, formada nos territórios ocupados da Bélgica e da França, a situação foi pior.
Termina o conflito
Em 28 de setembro de 1918, a Alemanha, completamente isolada, reconheceu a derrota. O kaiser Guilherme II procurou a meditação do presidente norte-americano Woodrow Wilson, para a assinatura de um armistício.
Cresce uma forte oposição política ao imperador alemão, liderada pelo partido socialista. Guilherme II abdica e foge para a Holanda.
Forma-se, assim, a República de Weimar que, em 11 de novembro de 1918, assinou sua rendição incondicional aos aliados. Em 23 de junho de 1919, foi assinado o Tratado de Versalhes, que responsabilizava a Alemanha pela Guerra, condenando-a ao pagamento de indenizações em dinheiro, equipamentos, máquinas, minérios e produtos químicos à França e à Inglaterra.
Os Estados Unidos não participaram da assinatura desse Tratado por considerarem abusivas as penalidades impostas aos alemães. Como tentativa de promover a paz mundial, foi criada a Liga das Nações (1919), com sede em Genebra, na Suíça. As tensões políticas na Europa continuaram e a Liga das Nações mostrou-se ineficiente. Os Estados Unidos, a Alemanha e a Rússia acabaram por não fazer parte dela.
Efeitos da guerra
A Primeira Guerra provocou transformações no jogo de forças internacional. As mortes foram muitas e a Europa, palco dos combates, estava economicamente arrasada. Acabava a época de hegemonia quase exclusiva das potências européias sobre as outras nações do mundo. Os Estados Unidos despontavam como força econômica e política.
A Alemanha fora penalizada severamente nos acordos de paz. Além das indenizações, fora desmilitarizada, perdeu 1/7 de seu território e todas as suas colônias. O mapa da Europa foi redesenhado, com o surgimento de nações criadas conforme critérios de identidade étnica. Às potências vencedoras do conflito — Itália, França, Inglaterra e Estados Unidos — importava fazer frente a um possível avanço soviético.
O conflito contribuiu também para intensificar mudanças sociais. O esforço de guerra exigira a utilização intensa da mão-de-obra feminina, lançando as mulheres no mercado de trabalho. Com isso, produziram-se mudanças de comportamento, consolidadas nas décadas seguintes.
Matrículas abertas!
Venha conhecer o Objetivo.
